FARO-VRSA... ALDRABADA

Andei a semana meio resfriado e ainda combalido da extracção de um siso manhoso que tinha para aqui, mas aceitei o desafio do Pêxote para irmos fazer mais um dos nossos passeios clássicos, até Vila Real de Santo António, comer uma bifana e regressar de comboio.

Já estávamos quase a arrancar, aqui à porta de casa, quando apareceu o amigo Paulo Mendes, com a sua bela gravel, para ir fazer uma voltinha sozinho até ao Malhão, comer uma sandes de presunto e regressar. Oh Pálinhe, onde vais tu paí, fête maluque, sozinhe?! Anda já cagente mó!


Arranjámos assim mais um companheiro, com a condição de bebermos um cafezinho ali na esquina, antes do arranque. Sai café e pastel de nata para três, ó faxavôr! Camalta precisa de energia! Estava uma bela manhã de sol, corria um ventinho que sabia bem, mas segundo a malta que faz ciclismo científico e estuda os ventos e as marés antes de cada pudalanço, iria haver vento mais forte. Salixe, a malta quer é pudalar!



Para meter um nadica de altimetria e mais uns quilómetros no percurso, costumamos fazer um desvio por Moncarapacho antes de ir logo directos para a Ecovia. Mantemos a tradição e fomos assim mostrar também outros caminhos ao Paulo, até mais propícios para a gravel dele.


Parece que o rapaz estava a gostar da companhia e dos trilhos quando, num single assim menos indicado para a bike dele, raspa numa pedra e faz um furo no pneu... Gaita! Não deu para selar só com o líquido do tubeless, meteu-se mão à obra e toca a colocar uma câmara de ar. Tão mas que magana de luta que deu o raio do pneu, para tirar e depois para montar??? Raizoparta! Muita luta depois, estava quase... só que não... a válvula era curta para o aro e não conseguimos encher a roda, mesmo com uma panóplia de acessórios que tínhamos e podíamos usar para meter ar. Conclusão: o Paulinho tinha de chamar a assistência em viagem e abortar a volta.



Seguimos o caminho só os dois, tristes por termos de continuar sem o nosso amigo, que até estava a gostar do passeio e eu a pensar que o desencaminhei para ir connosco e acabou por ter de voltar para casa. Há dias assim, pensa-se uma coisa, opta-se por outra e depois a coisa não sai como era expectável. São os imponderáveis destas coisas das bikes e desta vez calhou-lhe a ele.



Mais uns estradões de Moncarapacho até à Fuzeta e, mal tínhamos entrado na Ecovia, toca o telefone e pumbas, era o Paulinho a dizer que tinha conseguido encher a roda em Moncarapacho e queria saber onde estávamos. Anda já mó, que a malta espera por ti ali num cafezinho perto da Arroteia e buemos uma fresquinha!



Mais um par de minutos e lá apareceu o rapaz, com o pneu torcido e tal, mas pronto para o resto da jornada. Ganda Paulo que com a sua experiência de McGiver conseguiu encher a roda e fazer o resto do percurso connosco. Torcido já ia eu também, não me sentia grande coisa e comecei a sentir o aparecer de cãibras mas lá continuei a rolar com a esperança que elas desistissem.


Perdemos algum tempo quando surgiu o furo e depois para o reagrupamento do Paulo e a seguir a Santa Luzia fizemos as salinas de Tavira em modo curto, pois já se fazia tarde. Ainda passámos na marginal de Cabanas e seguimos em bom ritmo até Cacela Velha. Como já era tarde alterámos os planos e em vez das bifanas em Vila Real, começou-se a pensar numa pizza na Manta Rota.


A salivar pela bela da pizza fizemos a foto da praxe em Cacela Velha e mal acertámos com o veredo até ao parque de autocaravanas da Manta Rota. Abancámos na Pizzaria Mário e aviámos de estalo umas Colas geladinhas... Pudera, íamos ressequidos comó caraças!
Mas calma, não se preocupem, as Colas foi só para entrada. Regámos as boas das pizzas com umas imperiais igualmente fresquinhas.


Ainda faltavam uns quase vinte quilómetros até Vila Real, o sol estava pujante e começámos a pensar se se justificava fazer mais esse trecho, depois da barriga cheia e tal... Eh pá, gostava de ir até lá, completar o que estava estipulado à partida, mas a verdade é que eu não estava grande coisa, com as pernocas um pouco cansadas, tínhamos apanhado vento de frente desde a Fuzeta e se calhar era melhor não estragar mais.


Bebemos mais uma para a viagem e fomos apanhar o comboio a Vila Nova de Cacela. Graças à nossa CP e à estupidez de não terem pensado em reservar lugares para as bicicletas nas novas composições que servem agora a linha do Algarve, voltámos a ficar separados do amigo Paulo porque não podiam viajar três bicicletas na mesma carruagem. Ou seja, agora temos comboios eléctricos, mais ecológicos e rápidos, mas não se privilegia a circulação com bicicletas. Enfim, ainda temos muito que aprender.


Aldrabámos o passeio. mas ainda assim foi um belo dia de pudalanço, com excelente companhia e haveremos de, noutro dia, fazer o passeio completo. O mais importante não foi o percurso, mas a companhia, as conversas e as histórias de três amigos que já levam uns anitos de pudalanço. É o que vive que conta, não os quilómetros que se fazem.

Continuem a pudalari!

Mensagens populares