(IN)TEMPORAL NO MOINHO VELHO
Semana produtiva em termos de pudalanço com a habitual nocturna à quarta-feira e hoje uma voltinha a solo.
Na quarta fizemos uma voltinha mais rolante que o habitual, que é mais a minha praia, mas também com um andamento mais forte, ali pelas bandas de Pechão e Quelfes. Isto tudo antes de rematarmos a coisa com mais uma monumental saga e um belo bacalhau dourado.
Para o fim de semana estava previsto um pudalanço mais para a serra com o amigo Peixoto, mas não aconteceu porque eu tinha outros afazeres, no Sábado.
Para Domingo ficou em aberto a possibilidade de um pudalanço mais caseiro, caso não chovesse, com previam os mentiriológicos. A malta não acedeu à minha chamada e comecei a equacionar a hipótese de uma voltinha a solo, que por vezes, também sabe bem.
Deixei tudo preparado para me levantar de manhã e ir ver dos trilhos. De noite ainda ouvi chover mas ao acordar havia sol no horizonte. Equipei-me, tomei o pequeno almoço e resolvi ir fazer um track que tinha feito em 2021. Gosto de ir pegar em voltas antigas e repetir, pois por vezes já não passo em certos sítios há muito tempo. Foi o caso desta, uma volta intemporal.
Fui galgando terreno e já ia com uns 14km quando me apercebi que não tinha posto o Garmin a gravar a volta. Não pode ser, porra! Se depois não está no Strava, não aconteceu. Oh pá, que chatice, ah ah ah!
A terra já estava e já cheirava a molhada, algumas ervas iam molhando as pernas ao passar por elas e o caminho foi-se fazendo em direcção a Pechão por caminhos onde ultimamente não tenho pudalado e outros onde até tinha passado na quarta-feira à noite, em sentido oposto.
Fui aqui e ali alterando o percurso inicialmente previsto, para ir experimentando outros caminhos e lá cheguei a Moncarapacho, onde parei para beber um cafézinho numa esplanada ao solinho. Mas foi sol de pouca dura e quando arranquei de novo já umas nuvens negras pairavam no ar. Querem ver que sempre vem aí molho, pensei! Mas não, lá se foi aguentando e nem sinal do tal temporal previsto.
Fiz a calçada romana em Moncarapacho onde já cheirava bem a bagaço de azeitona moída junto ao lagar. Cheiro esse que me fez levar o pensamento para lembranças antigas de quando acompanhava o meu pai na entrega das azeitonas no lagar, lá no meu Alentejo.
Com cheiro ainda impregnado nas narinas fiz a subida até ao Vila Monte. Há muito tempo que não fazia este trajecto que depois liga à estrada que vai para Santa Catarina da Fonte do Bispo. No Pereiro virei à esquerda pelo Caminho da Jordana, um belo estradão bem rolante.
Vou eu todo lampeiro nesse trajecto quando olho par ao horizonte e vejo lá no cimo do cerro o Moinho Velho. Sempre me despertou curiosidade aquele moinho e sempre pensava que um dia teria de ir lá acima. Nunca se proporcionou ou porque o tempo estava curto, ou porque a malta não quis alinhar. Vi as horas, estava com tempo e havia ali um caminho antigo que, vi no Google Maps, ia desembocar mesmo no acesso ao moinho. Eh pá, já que estou aqui, vou lá acima.
Meti por esse caminho que depois estreitou para um single e depois de aviar dois figuitos secos, fiz-me à subida até ao moinho. Uma ou outra zona com alguma pedra, mas foi pacífico chegar até lá. Saciei assim a minha curiosidade e fiquei a saber que aquilo já foi habitado, com alguns sinais de que houve por ali gente mas agora está ao abandono. Voltei par atrás pelo mesmo caminho até ao estradão. Percebi agora na aplicação que uso para fazer os trilhos que há um veredo que contorna o monte pelo outro lado. Vi o início do trilho mas não quis arriscar.
Depois veio o papo-seco do dia com a subida até ao Peral pela estrada junto às pedreiras. Já lá em cima curti umas das belas veredas que há por lá e que estão agora fantásticas com as cores de Outono. A caminho da zona da Barracha foi altura de fazer mais um single onde há muito não passava, com uma zona de pedra mais técnica e onde mais abaixo havia uma ruína que contornávamos num belo veredo, há agora uma vedação e uma bela vivenda, mas que deu para contornar e voltar a apanhar o caminho principal.
Mais uns estradões até quase aos Machados, contornei o Cerro da Bemposta e desci até à EN2, onde meti por uma subidinha para a zona de Lagos e Relvas para depois descer até junto do nó de Estoi. Daí para a frente foi sempre a rolar até Bela Salema, pela Jardina e depois pelo Mar e Guerra até Faro.
Uma voltinha bem redonda que deu para abrir o apetite para um belo arroz de tomate com carapaus fritos que esperava, acompanhado de um tintinho e, mais importante que isso do meu principezinho que me veio visitar! Antes disso, como ainda tinha um restinho de pilha, fui conhecer a nova avenida cá do burgo e o elemento escultórico alusivo à Estrada Nacional 2.
Continuem a pudalari!
Strava quarta-feira > https://strava.app.link/oKe5ez14MXb
Strava domingo > https://strava.app.link/Ow3lya44MXb































