MAIS UMA VOLTINHA AO PEGO DO INFERNO
Pois que em conversa com o amigo Manel Barradas sobre os pudalanços do fim de semana, abordámos o tema de uma ida ao Pego do Inferno. Não, não é o que fica em Alegrete, Portalegre, na Ribeira de Arronches, é mesmo que fica na Ribeira da Asseca, ali para as bandas de Santo Estêvão, Tavira. Se bem que a malta também deveria conhecer lá o do meu Alentejo.
Resolvemos ir no domingo já que o sábado foi comemorar o Dia da Liberdade. Lançou-se o desafio e só apareceu mais um amigo com vontade de fazer os 86Km do trajecto, o João Belo. Ou se calhar com mais vontade de comer a bifana, do que de pudalar, como eu, ah ah ah.
A ideia, à partida e já que o amigo Manel deixou o trajecto nas minhas mãos, era ir mais pelo mato, parar em Tavira para aviar a tal bifaneca e regressar pela Ecovia. Foi mais ou menos isso que aconteceu, com algumas ligeiras alterações ao estipulado, aqui e ali, por diversos motivos. Também não pode ser sempre igual o percurso, né? Senão enjoa!
Estava assim a modos que uma bela manhã para a prática da modalidade, com uma ligeira brisa a soprar para enganar o ciclista sobre a real temperatura que se fazia sentir. Eu já tinha feito mais ou menos este percurso por duas vezes, uma acompanhado, outra a solo e não é de todo uma tarefa fácil. Talvez por isso a malta não aderiu à ideia. Mas faz-se, com calma e paciência. Na tejam mede!
Fomos aquecendo os músculos até junto da A22 e depois seguimos sempre junto à mesma até ao nó de Olhão. E era aqui que estava prevista a primeira dificuldade, pois o percurso inicial previa uma passagem que já não existe e na segunda vez que o fiz atalhei por trás de uma casa em ruínas. Desta vez fomos experimentar passar no percurso inicial e não demorou muito tempo até aparecer o dono do terreno (que nos viu pelas câmaras de vigilância). Está de facto interdita a passagem da malta por ali, não vale a pena tentar. A solução é ir um pouco mais à frente e apanhar o Caminho da Jordana, até ao Pereiro.
No Pereiro seguimos novamente junto à autoestrada, contornámos a área de serviço de Olhão e passámos para o lado oposto, para nos fazermos aos single tracks, primeiro junto à Ribeira da Lagoa e cerro acima, até lá ao alto da Boavista. Depois foi descer um bocado na nacional e meter novamente pelos estradões até à Ribeira da Asseca.
Estávamos tão apaixonados pela voltinha que era inevitável não parar no Pego do Amor para tirar umas fotos e mais à frente na Cascata do Pomarinho. A ribeira leva ainda um bom caudal e apeteceu (pelo menos a mim) dar um mergulhito naquele pego e ficar ali no relax. Mas não, ainda havia caminho pela frente e seguimos.
Seguimos até ao Pego do Inferno mas foi o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa... O caminho que costumava fazer de bicicleta está mais do que fechado e já não estivemos para nos meter por outro para ir lá espreitar a cascata. Fiquei com pena mas aquilo está um caos para se chegar até lá, com tanto matagal. Já era altura da câmara de Tavira revitalizar aquele espaço, não?!
Também não nos ariscámos a tentar passar a Asseca, mais baixo, e fomos pela estrada, em direcção a Tavira... Pumbas, livrámo-nos do resto mas não nos livrámos de uma infernal subida que o Manel conhecia e que nos quis mostrar... Bolas, com amigos destes, um ciclista não precisa de inimigos, eh eh eh. Mas que valente papo-seco! Lá teve de se fazer e lá no cimo tivemos direito a umas laranjinhas rapinadas num pomar que por ali existe, para repor energias.
Subimos, mas depois também descemos, já a salivar por umas fatias de pão com uma carnucha no meio e umas jolinhas pretas. O spot onde costumo abancar encerra aos domingos e resolvemos ir à procura de um outro local em Santa Luzia. Não foi fácil de início, mas o olho de lince do Johny Belo vislumbrou uma esplanada numa rua mais recolhida e foi mesmo na mouche! Abancámos no café Arco Iris e fomos muito bem atendidos e servidos.
Recompostos, seguimos marcha pelo Ecovia, com um ventinho assim meio de ladecos, que não ajudava, mas também não atrapalhava. Havia turista em monte a pudalar e não só, mas lá viemos em bom ritmo até caselas.
Foi mais uma bela manhã a fazer o que mais gostamos, em excelente companhia e, desta vez, sem cãibras, cheguei a casa a sentir-me muito bem, pese embora o acumulado de quilómetros e uma altimetria simpática.
Para a próxima estou a pensar incluir no percurso uma passagem pelas salinas de Tavira. Dá mais uns quilómetros, mas quem faz oitenta e tal, também faz noventa e tal. Digo eu! Ah ah ah.
Continuem a pudalari!
Strava > https://strava.app.link/ySfiQQg0H2b
Fotos: Sérgio Palma e João Belo






































