AS SUBIDAS DAS VARGENS, INACABADAS.

Fomos ver o nascer do sol ali para as bandas da fronteira entre o Algarve e o Alentejo e vai daí, aconteceu a segunda edição do passeio de BTT nas Vargens, depois do sucesso da edição experimental.






O amigo Jorge Tendeiro conseguiu juntar um grupo de amigos e desta vez reforçámos a equipa, com mais algumas aquisições. Foi uma enorme satisfação para o Jorinho ter esta grupeta a pudalar na zona das suas origens e mais uma vez fomos brindados com uma excelente recepção e mais uma almoçarada daquelas, que quem não foi, nem imagina. Mas disso falaremos mais à frente.






O percurso foi elaborado por mim com a ajuda do Jorge e diferente do anterior, com mais uns quilómetros e uns metros de altimetria. A altimetria... ai a altimetria... Pois, uma coisa é fazer um risco num mapa, outra é ir para o terreno, ah pois é!





Começámos logo a aquecer, ainda os campos emanavam a frescura da noite, por umas subidas num trilho que o nosso anfitrião tinha feito dias antes e que me pediu para inserir no percurso. Umas subidas valentes, assim logo a frio e também umas descidas malucas até ao Vascão. Depois seguiu-se um pula cerca, para dentro da ribeira, atravessar a mesma e vá de carregar com as bikes às costas, para subir para a outra margem. O pior foram as eléctricas... Aquilo pesa!





Se desces até ao Vascão, o mais certo é a seguir teres de subir e desta vez não foi excepção. Já a malta refilava com as subidinhas quando chegámos ao asfalto na estrada entre São Bartolomeu de Via Glória e Giões. Depois metemos pelo trilho até ao Moinho das Relíquias (que está, e bem, com obras de recuperação). Seguiu-se o percurso das Estações da Biodiversidade do Vascão (EBIO) sempre junto à ribeira, até ao Moinho do Alferes. Um percurso muito bonito, entre o arvoredo, que deve ganhar ainda mais beleza quando a ribeira levar mais água.






Por falar em beleza, a coisa piorou a esse nível quando se percebeu que para sair dali até Águas Santas, se tinha de subir.. e muito! Ainda tentámos uma saída menos agressiva, mas o melhor foi seguir o percurso e aviar uma valente parede em que só uma ou duas eléctricas subiram na totalidade. O resto teve de ser a empurrar e, a meu ver, não tem mal nenhum, faz parte do processo. Mas a malta ficou piursa porque, com pouco mais de 7km já se tinha subido bem e queriam por força sair dali, eh eh eh!






Mas logo a seguir veio mais uma subidinha, desta vez com animação, por parte do amigo Camacho que encasquetou que ia subir a dita, montado. Ai não, que a eléctrica pesa, pois então! Só que "afinal não consegui, vinha muito leve.. vou tentar outra vez! Vou lá abaixo outra vez, tenho de conseguir fazer isto montado, @*#%". Só que não... nem parou, tombou para o lado, ah ah ah. Nesta ficámos cansados, mas foi de tanto rir e já se faziam apostas.






Com isto tudo passaram a abrir pelas Águas Santas e nem se fez uma paragem para quem não conhecia, poder apreciar. Seguiu-se até Farelos com o Camacho a temer pela vida quando tivemos de atravessar uma zona com vacas. Felizmente nem elas fizeram mal, nem ele atropelou nenhuma. Em Clarines parámos na aldeia para umas fotos junto a uma casinha bem simpática.






Cruzámos mais uma vez o Vascão e subiu-se até à simpática aldeia de Alcaria de Javazes, onde o amigo José Carlos apareceu com umas bananas e onde reabastecemos de água nos WC's públicos. O pessoal queria ira saber quanto faltava para o final e resolvi propor atalharmos directamente até Espírito Santo, sem fazer uma passagem por Besteiros, onde tínhamos passado na edição anterior. Cortou-se um bocado de trajecto a ver se a malta sossegava.






A partir daqui o trajecto era mais plano e de Espírito Santo até Moinhos de Vento foi sempre por estradão e em linha recta. Fomos depois à procura do trajecto que nos levaria à barragem do Belo, para satisfazer um desejo do Cegasa, que ia para lá pescar, na sua juventude. Terreno plano e umas portadas para passar, que se foi fazendo até chegarmos a uma outra barragem, a dos Choupos. Contornámos a barragem e fomos em direcção ao monte do Belo, com a sua barragem, propriedade da família Champalimoud, onde existe inclusive um aeródromo (que não vimos).





Passámos por Boisões e percorremos mais umas valentes estradões até São Bartolomeu de Via Glória. Dali até Vargens fomos por asfalto, pois já se fazia tarde, a malta estava cansada e havia um cozido de grão à nossa espera. Isto tudo depois de um banhito, a céu aberto e de água fria, para enrijar os ossos.





Sobre almoçarada só se pode classificar de excelente, com a Fernanda mais uma vez a esmerar-se no repasto e a deixar malta empanturrada, eh eh eh. A Filipa não se ficou atrás e presenteou-nos com duas magníficas sobremesas. O amigo José Carlos tratou da pinga e, para não variar, este cinco estrelas na escolha dos vinhos.





Houve depois tempo para forte animação musical, desta vez com o amigo Cegasa, a sua guitarra de carbono e as suas cantigas, que repartiu o palco com as alentejanadas do José Carlos. Que mais e pode pedir meus amigos? Um valente passeio de bicicleta, um almoço de topo e muita ramboia com bons amigos. Não se fez o percurso completo que estava estipulado à partida, mas fez-se um bom passeio com muitas histórias pelo caminho, sem quedas e azares. Isso é o mais importante.





Venha a próxima edição e a ver ser é mais soft e com oportunidade de apreciar mais a paisagem e as terriolas por onde passamos, que estão cheias de história e estes passeios também são (devem ser) feitos disso.
Obrigado ao Jorge e aos primos por nos receberem tão bem lá na sua terrinha, que para mim representa também o reviver das minhas origens e as saudades que tenho, sempre, da zona onde nasci.

Continuem a pudalari!

Strava > https://strava.app.link/f25JnDq6d7b
Fotos: Sérgio Palma, Rui Vale e João Belo

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