CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 1

Foram largos meses de preparação, quando a ideia e o desafio (do meu sobrinho Tiago) surgiram há para aí um ano. Muita coisa para ver, muitas trocas de opiniões com amigos que já tinham feito os Caminhos de Santiago, comprar e preparar equipamentos.



A cada passo a dúvida e a incerteza sobre se teria coisas a mais ou se faltaria algo que viesse a ser necessário, o ensaiar dos suportes para os alforges, das bolsas com a carga, o evitar peso desnecessário. Tivemos de adiar a ida por duas vezes, por motivos profissionais de ambos. Também surgia a dúvida de como iríamos aguentar tantos dias seguidos a pudalar, se iríamos aguentar, se conseguíamos chegar até Santiago, quer por motivos físicos, psicológicos e mecânicos. Seria o nosso primeiro caminho.



Apesar do caminho estar marcado, nós só íamos apanhar o que vem de Lisboa na Atalaia, a seguir a Vila Nova da Barquinha. Houve que estudar um percurso de BTT até lá. Ainda assim preparei os tracks para todo o caminho, para termos ideia das distâncias e declives do terreno, entre outros pormenores.



Finalmente chegou o dia 11 de Maio, dia da partida para a primeira etapa de nove, que tínhamos estipulado e que poderiam vir a ser alteradas em função do dia a dia e de como nos sentíssemos.



Partimos de Portalegre, por ser a nossa terra natal. Amanheceu o dia com cara de chuva, no Alto Alentejo. Até à cidade, onde fomos fazer o ponto de partida à porta da Sé, apesar de estar com má cara, o tempo aguentou-se, mas mal chegámos à igreja começou a cair uma valente chuvada.



Iniciámos assim o primeiro dia completamente ensopados. A primeira hora de viagem foi sempre debaixo de água. Só já perto de Alagoa parou de chover mas depois, quando entrámos em caminhos mais rurais haviam também muitas poças de água ao longo do trajecto.



Antes de chegarmos a Gáfete cruzámos o Caminho de Santigo Interior, passámos pela marcação. Fomos seguindo em bom ritmo até Tolosa (terra de excelente queijo... para mim, que o Tiago não gosta, ah ah ah). Antes de chegarmos à EN118 ainda tivemos de atravessar uns ribeiritos e mais uma encharcadela.



Na chegada ao Gavião tivemos de procurar alternativa pois o trilho passava onde agora está "semeado" um campo de painéis solares. Almoçámos na vila, no Café São João, uma bela sopa e uma bifana, para retemperar dos já 58Km, feitos até ali.



Na parte da tarde o solinho resolveu juntar-se à malta, fez-se sentir o calor e quando chegámos à Barragem de Belver parámos para umas fotos e tirar os casacos de chuva, que já iam a mais e que não íamos precisar na bela da subida desde a barragem até Ortiga. Ficou logo ali a bela da bifana do almoço.



Em Mouriscas veio o primeiro empurranço do caminho, numa zona de subida curta, mas com o peso dos alforges e o terreno pedregoso, não dava para ser de outra maneira. Até aqui o terreno foi sempre um misto de asfalto e terra batida, com alguns trilhos mais fechadotes mas muito giros de se fazerem.



A dormida deste dia seria nos Bombeiros Municipais de Abrantes, a quem agradecemos do fundo do coração, pela simpática recepção, pela caminha e um bom banhinho quente. Também nos recomendaram o restaurante Bom Sabor, para o jantar.




É aqui que se dá a cena aleatória do dia. O Tiago pede um bitoque de frango, eu um de porco, a rapariga anota à mão, num bloco de papel. O Tiago pede para trocar para um de porco. Rapariga diz que já não podia porque já tinha anotado de frango... A cena caricata do dia, eh eh eh.



Continuem a pudalari!

Strava > https://strava.app.link/3nLSMLwpp3b

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