CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 2

ABRANTES > ALVAIÁZERE

Depois do descanso do primeiro dia, está aí o segundo. A ideia era chegar a Alvaiázere, apesar do planificado ser ficar a pernoitar em Cortiça, um pouco antes. Mas já que por mais uns poucos quilómetros podíamos ficar no quartel dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere, sem custos, alterámos os planos.






Saímos cedo de Abrantes, estava fresquinho! Logo junto ao Parque Urbano de São Lourenço tomámos os trilhos que correspondem também ao Caminho de Fátima. Ao fim de poucos metros fomos defrontados com uma ribeira que ficava no trajecto e que não tinha qualquer passadiço ou ponte. Presumimos que tenha desaparecido com os temporais. Resumindo, tivemos de passar as bicicletas à mão, molhar o pezinho e subir na outra margem. Faz parte do caminho!






Depois tudo parecia estar a voltar ao normal quando, em Rio de Moinhos, após o cais junto ao Tejo, o track que tinha definido deu num caminho que não existia. Feitos teimosos tentámos encontrar alternativa, mas fomos parar a um terreno agrícola que tinha sido mexido há pouco tempo e com as chuvas dos últimos dias estava mais para o lado do lamaçal. Resultado: bicicletas cheíssimas de lama ao ponto de termos de parar para remover o excesso com uns paus e mais à frente lá conseguimos, num monte, uma mangueira para dar uma lavadela nas meninas e seguir caminho pela EN3 até Constância. Não estava a correr bem o dia e o caminho a mostrar que quem manda é ele.






Chegámos a Constância, tomámos finalmente o pequeno almoço, na Pastelaria Pati, antes de atravessarmos a ponte sobre o Rio Zêzere. Seguimos o nosso track por Praia do Ribatejo, sempre junto ao Tejo, até Almourol e Tancos. Até Vila Nova da Barquinha apanhámos uns single tracks fantásticos a ladear o Tejo até nos começarmos a afastar do rio em direcção a Atalaia.






Foi em Atalaia que entrámos verdadeiramente no Caminho de Santiago, foi aí que apanhámos o primeiro totem e as primeiras marcações. Estávamos finalmente no Caminho e não deixei de sentir entusiasmo e alguma emoção. Conseguimos o primeiro carimbo do caminho num café antes da Igreja Matriz de Atalaia e aproveitámos para colocar as protecções para a chuva, pois o dia estava a mudar de cara e o mais provável era que viesse molho. E veio!






Pouco depois de cruzarmos por cima da A23 surgiu uma magana de uma subida, íngreme e cheia de cascalho, que deu direito a empurrar as bicicletas à mão e não foi tarefa fácil. Abriu-nos de tal maneira o apetite para o almoço, que era para ser em Tomar e foi logo na Asseiceira, no Café Terraça. Saiu mais uma sopa e um prego no pão.






Retemperados e com o tempo ligeiramente melhor fomos pudalando até Tomar umas vezes em asfalto, outras por terra batida, mas sempre a aviar umas belas subidas. Logo neste primeiro dia do Caminho deu para perceber que as marcações estão muito bem feitas e não há como enganar.






Já perto de Alvaiázere fizemos uns caminhos em calçada, muito giros mas que eram mais desconfortáveis devido ao peso das bagagens. Quase a chegar descobrimos uma cerejeira com umas pernadas por cima do caminho e lanchámos umas cerejinhas que souberam pela vida.








Fomos muito bem instalados nos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere, que têm umas instalações modernas e bem agradáveis. Para os bombeiros o nosso profundo agradecimento. O jantar foi na Casa do Benfica lá da terra e tivemos de aviar mais um bitoque, pois ao jantar não tinham outros pratos. Estava feito o primeiro dia oficial no Caminho de Santiago e isso já era um grande motivo para estarmos satisfeitos.

Continuem a pudalari!

Strava > https://strava.app.link/M5MfL61kr3b

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