CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 7
VIANA DO CASTELO > BAIONA
A noite não foi pacífica nos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo pois dormimos na camarata com o pessoal de serviço e a meio da noite houve emergência (desencarceramento) e acordámos quando foram chamados, claro. Foi a única dormida em que quartéis de bombeiros em que não ficámos sozinhos na camarata.
Quando acordámos de manhã ouvia-se a chuva a cair lá fora, saímos equipados para a chuva, mas depois o tempo abriu, felizmente. Até deu para tirar o equipamento, apesar de se manter algo nublado.
O meu joelho esquerdo já tinha acusado qualquer coisa e hoje começou a doer-me logo no início da tirada. Como não tomámos o pequeno-almoço logo à partida, aguardei até parar para comer e tomar um Voltaren a ver se ajudava. Já vinha desesperado com fome e aquela dorzinha a moer!
Parámos em Vila Praia de Âncora para comer num café à beira do Rio Âncora, num local denominado de Ruivo's Vila onde não primaram pela simpatia, para além de não ser nada barato. Continuo sem perceber o que, a norte, as pessoas não entendem quando pedimos uma simples sandes de fiambre, presunto ou mista. Querem logo enfiar com uma daquelas sandes todas elaboradas. Hoje não foi excepção.
Lá tomei o comprimido, mas não melhorava, demorou a fazer efeito e só após o almoço senti algum alívio e a disposição alterou logo. Assim chegámos a Caminha onde apanhámos o barco para atravessar o Rio Minho para Espanha, até à localidade de A Guarda. Do outro lado carimbámos a credencial com o primeiro carimbo espanhol e continuámos o nosso rumo, sempre junto à costa.
Percorremos trilhos muito bonitos por locais históricos, alguns single tracks e uma subidinha ou outra. O almoço foi em Portecelo, na Explanada do Horizonte. Que local fantástico e que vista deslumbrante sobre o oceano! Aviámos um delicioso bocadilho de tortilha, uma cola e um expresso e retemperámos energias, descansei o joelho e fomos ver do resto da etapa.
Estávamos a estranhar as horas e estar já tão tarde. Só ao fim de algum tempo nos caiu a ficha e nos lembrámos que o fuso horário era diferente em Espanha. Até porque começámos a receber mensagens por causa do roaming, eh eh eh. Gandas maluques, estes bicigrinos!
O caminho ia alternando entre calçada, asfalto, zonas de pedras (que fizemos a pé, a empurrar a bike) e alguns single tracks, sempre à beira-mar. Havia algum vento, mas nada comparado com o dia anterior. Mesmo com o joelho a chiar lá chegámos a Baiona. Ainda fui ao castelo meter o nariz e decidimos ficar por ali a descansar.
Como de manhã havia a possibilidade de, eventualmente prosseguir, não marquei albergue e... lixei-me. No que tinha previsto, já não havia vagas. Muito simpática a senhora da recepção ligou para outros dois e só na segunda tentativa conseguimos um alojamento que implicou fazer mais uns 5Km. Não foi muito em conta, mas foi que se arranjou, senão teríamos de pudalar mais alguns quilómetros até conseguir alojamento...
Ficámos instalados em San Pedro da Ramallosa, na zona de Nigrán, no hostel Pazo de Pias, uma antiga casa senhorial que sofreu saques e incêndios pelas tropas portuguesas no século XVII. Tomámos o habitual banhinho, aproveitámos a lavandaria para lavar e secar a roupa e fomos ver da janta.
Quando esperava pela vez na máquina de lavar roupa entrou uma rapariga e expliquei-lhe no meu inglês manhoso que eu já estava na fila, que ela seria a seguir a mim. Conversa puxa conversa (em inglês) soube que ela estava a fazer o caminho a pé, sozinha e quando lhe disse que tínhamos dormido, até ali, apenas num alberque em Coimbra (terra dela) é que percebemos que éramos ambos portugueses. Mas ela até pensou que eu seria francês. Não sei se isso abona ou não a meu favor, ah ah ah.
Aos domingos parece que não há muita coisa aberta por estas bandas e optámos pela Pizzeria Carlos, mesmo ao pé da famosa Ponte Románica de Ramallosa, onde fomos bem atendidos e repusemos energias e hidratação.
A cada dia nos cruzamos com mais peregrinos, de todas as nacionalidades, de todas as idades, em grupo ou sozinhos. Até casais com cadeiras de bebé, crianças ao colo ou às cavalitas. No primeiro hostel que tentámos alojamento, encontrámos um grupo de portugueses que ficaram muito espantados quando lhes dissemos que vínhamos a pedalar desde Portalegre, eh eh eh.
Continuem a pudalari!
Strava > https://strava.app.link/Huv5evosJ3b






































































































