CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 8
BAIONA > PONTEVEDRA
Quando saímos de Baiona estava bem fresquinho e demorou a aquecer. Mal surgiu a primeira oportunidade parei para comer e tomar o Voltaren pois o joelho dava queixas. O spot escolhdio foi a Cafetaria Anonimus, para não dar tanto nas vistas, ah ah ah. Pedi um café con leche e um bocabillo de jamón, que deu para duas vezes. Era de regadio e bem grande o belo do bocadillo.
Tal como se esperava neste dia, mal seguimos viagem começámos logo a aviar subidas. Foi sempre assim e muitas vezes a empurrar as bikes em zonas com muita pedra, onde não dava para pedalar.
Contornámos Vigo pelo lado sul e há uma zona do percurso que está fechada para obras e tivemos de arranjar alternativa, que teve direito a mais uma subidinha. Mais à frente ainda nos metemos por um trilho manhoso que não estava marcado e em que teimámos prosseguir. Lógico que por ali não passam peregrinos, caso contrário estaria limpinho. Resultado: a bike escorregou e não me aleijei a sério porque não tece de ser, mas perdi a traseira que tinha no porta-bagagens.
Trilhámos depois uma zona de bosque muito bonita, com várias zonas de água corrente, a fazer as delícias dos peregrinos. Nestas zonas, mesmo no meio do bosque, há sempre pontos onde se pode carimbar a credencial, comprar um recuerdo ou algo para comer e/ou beber.
O almoço foi em Redondela, onde se junta o Caminho Português Central com o da Costa e começam a proliferar peregrinos e bicigrinos. Parámos no primeiro ponto que encontrámos, o Vila Bella, mesmo ao pé do Convento de Vilavella, à beira do Caminho de Santiago. Sentámos na esplanada e mais uma vez vi-me aflito para dar conta do bocadillo (já não me lembro do nome).
Já à saída de Redondela fomos chamados por um galego, de uma lojinha de souvenirs, que nos chamou para carimbar a credencial e quando percebeu que éramos portugueses disse que não carimbava, falando em bom português. Estava no gozo o sacana. Pelos vistos trabalhou em Portugal e domina o português. Aproveitámos para lhe comprar água para repor os bidons.
As piores subidas estavam guardadas para o pós-almoço. Não foi nada fácil fazer algumas com o peso dos alforges já com oito dias de pedalanço nas pernas. Ainda fomos ultrapassados por um grupo de senhoras já entradotas que seguiam em grupo, com bicicletas eléctricas. Parámos num dos vários spots que existem, para uma cola fresquinha e força para o resto do caminho.
Antes de Pontevedra, o destino de hoje, cruzámos mais uma zona de bosque muito bonita, sempre a contornar um riacho. Apenas as muitas raízes das árvores perturbavam um pouco o andamento provocando muitos saltinhos com os alforges a vibrar por todo o lado.
Chegámos cedo ao Albergue de Peregrinos Aloxa, previamente marcado, logo ali à beirinha do Caminho e à entrada de Pontevedra. Tratámos das formalidades, arrumámos as bicicletas em local seguro e tomámos o belo do merecido duchinho. Estávamos de novo frescos e fofos, prontos para... ir ver do jantar. Foi mesmo ali ao pé, na Cervejaria Estrella de la Estación, na estação de comboios, claro.
Estava no sofá da recepção do albergue a colocar a escrita do dia em ordem, quando se senta ao meu lado uma senhora que faz uma chamada telefónica em português, com sotaque algarvio. Fiquei a saber depois que é quase vizinha, é de Almancil e estava a fazer o Caminho de Santiago a pé, sozinha, pela primeira vez. Ficou muito admirada de eu residir em Faro e estar por ali também. O mundo é mesmo muito pequeno.
Depois de uma bela converseta fizeram-se horas de descanso. No dia seguinte seria o último dia desta fantástica jornada.
Continuem a pudalari!
Strava > https://strava.app.link/3gG7EfysK3b











































