CAMINHO DE SANTIAGO - DIA 9

PONTEVEDRA > SANTIAGO DE COMPOSTELA

Chegou o dia que tanto esperávamos, o último dia, não por estarmos fartos ou desejosos que acabasse, mas sim porque seria o dia da chegada a Santiago de Compostela, o fim de uma aventura enorme. Faltavam apenas os derradeiros 66km e querÍamos muito atingir esse objectivo final.


Decidimos sair mais cedo para chegar ao final com tempo para tratar das formalidades. O dia amanheceu muito farrusco e as previsões eram de chuva e mal iniciámos o caminho abateu-se sobre nós uma carga de água daquelas valentes. O último dia começou como o primeiro, debaixo de água e ensopados até aos ossos.


Mesmo assim fomos prosseguindo a nossa marcha, com muita água por cima e por baixo, com os trilhos encharcados, muitos peregrinos no caminho que tivemos de ultrapassar e que, com as capas da chuva colocadas, não nos ouviam a avisa da nossa passagem. Ultrapassámos alguns três pelotões de alunos da escola da marinha espanhola, um deles por duas vezes.


Até Caldas de Reis choveu sempre muito e não parámos para nada, nem para comer, nem conseguíamos usar o telefone para marcar o alojamento ou tirar fotografias. O objectivo era manter o corpo quente e em Caldas falhámos a visita à fonte de água quente, um ex-libris do caminho e que nos foi recomendado por peregrinos com quem trocámos opiniões e conselhos.Finalmente começou a melhorar o tempo, como o céu ainda carregado, mais uns pingos de chuva e lá veio o sol. A roupa foi secando no corpo, apenas as meias estavam molhadas.


Para ajudar à festa, a bicicleta do Tiago começou a ter um pequeno problema, não mudava a pedaleira. Mas nada que um bom alicate não resolvesse. Estávamos nós a tratar da situação, quando aparece um casal de brasileiros, com duas bicicletas eléctricas, perguntaram se precisámos de alguma coisa, dissemos que não e agradecemos. De repente ele vira-se para o Tiago e pergunta admirado: "E aí, você tem curdo dji mecânica?!". Ah ah ah, aparece cada cromo. Um gajo tem de se virar, né?


O meu joelho já acusava novamente umas dores há alguns quilómetros e a 5km da chegada parámos para descansar um pouco e beber uma cola fresquinha. Pudera, com o tratamento que levou a manhã toda, sem parar, não havia de doer. Afinal já eram nove dias de esforço e 650km a dar aos cranques. Mais aliviado, lá seguimos caminho até final.


Um pouco mais à frente começámos a ouvir uma música bem agradável e lá estava o pianista del camino, no meio de um arvoredo a tocar para com a força da música dar um alento aos peregrinos para a recta final do Caminho.


Parecia que nunca mais chegávamos ao fim quando entrámos numa das ruas que dá acesso à Catedral, cheíssima de gente, mal conseguíamos pedalar no meio de tanta pessoa. E depois lá esta a Praza do Obradoiro com a imponente Catedral à nossa espera depois desta fantástica aventura. Tínhamos chegado ao final do Caminho.


Não vos sei contar a emoção que se sente depois de tanto dia a pedalar, ao entrar naquela praça. Estava feito! Uma grande aventura tantas vezes idealizada, estava realizado o sonho de ir de bicicleta da minha terra natal, Portalegre, até Santiago de Compostela. Chegámos ao fim sem problemas, sem quedas, sem furos.


Ficámos por ali um bocado a ver tantas outras pessoas a chegar ali depois de dias e dias de caminho. Fomos de seguida levantar a Compostela que certifica e regista que fizemos o Caminho.


Ainda tínhamos de ir procura o Albergue de La Estación, onde dormimos nesta noite e que consegui reservar no caminho. Precisámos também de tomar um banhinho quente e meter qualquer coisa no bucho. Antes de chegar ao albergue ficámos a saber que os Correos já não enviam bicicletas para Portugal, apenas para Espanha. Havia que arranjar uma alternativa.


O albergue tem parceria com uma empresa para fazer o transporte (a Send Your Bike) e que também nos foi recomendada pela senhora dos Correos. Optámos por esta alternativa e tratámos das formalidades para despachar as bicicletas para casa. A empresa trata de tudo. Recolhe as bicicletas e embala tudo muito bem. Não foi barato, mas foi a opção que achámos mais adequada.


Almoçámos a horas de jantar e, enquanto comíamos tratámos de reservar online os bilhetes da viagem de regresso. Fomos depois comprar uns recuerdos, fizemos uma caminhada pela zona histórica de Santiago e de barriguinha cheia fomos ver do descanso.


A viagem de regresso seria de autocarro até ao Porto e depois de comboio até Portalegre, com transbordo no Entroncamento. Não tínhamos de andar muito pois o albergue era pertíssimo da estação de comboios e autocarros. Antes de ir para a cama ainda falei com alguns peregrinos que também tinham terminado o caminho neste dia e que já estavam a programar o próximo, eh eh eh. Venha ele!

Continuem a pudalari!

Strava > https://strava.app.link/hBZIQfbwK3b

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