AINDA SOBRE O CAMINHO DE SANTIAGO

Há já muito tempo que tinha vontade de fazer o Caminho de Santiago, chegou-se a equacionar isso com algum pessoal com quem costumo pedalar. Normalmente falava-se em sair do Porto e fazer o Caminho Central.




No ano passado o meu sobrinho Tiago lançou o desafio para irmos fazer o Caminho de Santiago em 2026. Pusemos logo a fasquia a um nível alto (para não dizer altíssimo): sair de Portalegre, a nossa terra, até Santiago de Compostela.




Comecei logo a fervilhar com a ideia e comecei à procura de informações sobre os caminhos, como haveria de ligar Portalegre a um deles. Descobri, entretanto que há um caminho que passa perto, na zona de Alpalhão e segue pelo interior. Mas esse seria mais duro, com uma altimetria mais agreste.




Foram muitos meses de estudo sobre o que levar, como levar, comprar acessórios sem gastar muito dinheiro, mas que fossem fiáveis. Apesar do caminho estar marcado, bem marcado, havia que definir o percurso de ligação e o número de quilómteros diários em função da altimetria. Muita coisa para afinar, muita conversa com amigos que já tinham experiência do Caminho de Santiago e de outras aventuras.




Nós nunca tínhamos feito nada de bicicleta com mais de um dia de viagem e, neste caso, fosse qual fosse o caminho escolhido, seriam mais, bem mais. Depois de alguma pesquisa cheguei à conclusão que seria melhor irmos de Portalegre ao encontro do Caminho Português Central, que sai da Sé de Lisboa. Haviam várias possibilidades mas a que nos pareceu mais lógica seria ir até perto de Vila Nova da Barquinha e entrar no caminho em Atalaia.




Foi isso que decidimos e foi isso que aconteceu. A história dos nove dias até Santiago de Compostela já aqui a contei. Foi uma aventura daquelas e todos os dias havia o receio de, por qualquer motivo, qualquer avaria, qualquer distração, não se conseguir chegar ao final. Pode acontecer, o caminho é o caminho e não podemos dar nada como certo, todos os dias. Apenas a nossa vontade de vencer o desafio, de superar todas as dificuldades e chegar ao final.




E conseguimos vencer o desafio, chegámos a Santiago de Compostela sem problemas de maior, sem quedas, sem furos, sem problemas mecânicos, apenas um pequeno na bicicleta do Tiago que resolvemos com alguma facilidade. Só a chuva dificultou a nossa tarefa, logo à partida e na manhã do último dia.




Pelo caminho muita história, muita paisagem fantástica, muitos momentos que não se conseguem descrever que cada um viveu. Chegar a Santiago e à Praça do Obradoiro, olhando para trás e rever todo o caminho até ali, é um momento carregado de emoção e alegria que não vos consigo explicar em palavras. Tem que se fazer o caminho, tem que ser vivido.




Gostava de voltar a fazer outro caminho, quero fazer outro caminho. Será diferente, terá uma programação diferente, mas muito do que vivi e aprendi neste vai ficar de base para aventuras futuras. Gostava de ficar mais em albergues, conhecer mais peregrinos, ouvir as suas histórias e experiências. Demorar-me um pouco mais em algumas zonas do percurso e ter mais tempo em Santiago, para visitar melhor a cidade.




Foi uma aventura incrível que adorei fazer. Penso que o Tiago também gostou muito embora tenhamos formas diferentes de olhar as coisas. A ele tenho que agradecer a companhia, a amizade e a paciência para me aturar, tantos dias seguidos. Já agora pedir desculpas por ter de gramar comigo a ressonar, ah ah ah.




Um enorme obrigado a quem me deu dicas e teve a paciência de me esclarecer nas minhas dúvidas e perguntas. Alguns amigos estiveram sempre a acompanhar esta a aventura, alguns até ligaram e enviaram mensagens com frequência. Um enorme obrigado ao Hernâni Neto, António Cerejo, Fernando Silva, António Soares e àquele amigalhaço que me tem acompanhado em tantas aventuras, o Sô Pêxote. Sem o vosso apoio, as vossas dicas e conselhos não tinha sido a mesma coisa.




A Wilier portou-se à altura, mesmo carregada e no meio das chuvadas que apanhámos. Um agradecimento ao amigo Luís Guerreiro da On Track Bike Store por ter afinado e preparado a menina por forma a que fizesse um caminho descansado, sem avarias. Também por ter feito o favor de receber a bicicleta na sua loja, pois indiquei a morada da mesma para entrega, à empresa que transportou a ginga para Portugal.





E por último mas não menos importante, um enorme agardecimento às corporações de bombeiros que, em Portugal, nos deram alojamento e um banhinho quente ao final dos dias que dormimos em território nacional: Abrantes, Alvaiázere, Oliveira de Azeméis, Portuenses e Viana do Castelo. Fomos sempre bem recebidos e não há palavras para agradecer a dispinibilidade e hospitalidade.

Venha a próxima aventura!

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